Validação é uma droga. Literalmente.
Quando você posta algo e fica refrescando a tela esperando a notificação de like, curtida, comentário — seu cérebro dispara dopamina. Exatamente como quando você clica no feed e vê um vídeo novo. A diferença é que a validação vem com uma pegadinha: ela só funciona quando alguém APROVA.
E aí você descobre algo brutal: você entregou o controle da sua autoestima para estranhos. Para algoritmos. Para pessoas que nem te conhecem de verdade.
A validação funciona como moeda porque a gente aceitou essa cotação. Começou simples — um comentário legal, um elogio sincero — e virou transação. Você posta, o outro avalia, você se sente (momentaneamente) bem. Pronto: validação convertida em sensação de valor pessoal.
Mas aqui está o problema: moedas fluem. Elas vêm, elas vão. Um dia você tem 200 likes, no outro 50. Um dia seu comentário bomba, no outro ninguém responde. E você fica preso nessa oscilação, checando, rechecando, tentando entender por que desta vez não funcionou.
Pior ainda: começa a moldar o que você posta, o que você diz, até quem você PRETENDE SER, só para manter o fluxo de validação entrando. Você vira moeda também — algo que se vende, que se reposiciona, que se otimiza para ter valor no mercado.
O psicólogo Paul Ekman estudou há décadas como a gente consegue ler emoções genuínas nos rostos das pessoas. Mas nas redes sociais? Tudo é curado. Filtrado. Editado. Ninguém coloca a foto de quando acordou irritado ou triste — coloca o ângulo perfeito, a pose que funciona, o momento que rende validação. E aí você consome aquilo e pensa: "por que minha vida não é assim?" Porque a vida real não é validada 24h.
A verdade incômoda: validação externa é sempre frágil. Ela depende do humor de outra pessoa, de quanto tempo ela tem, de se o algoritmo deixa sua postagem aparecer. Você não controla nada disso. Então por que você entrega o seu senso de valor ao único mecanismo que garante que NUNCA você vai se sentir seguro?
O autocontrole começa quando você reconhece essa transação e se recusa a jogar. Não é ignorar completamente — é parar de CONTAR. Parar de refrescar. Parar de mudar quem você é porque a moeda não está fluindo.
Você vale porque existe, não porque alguém curtiu.